Uma entrevista com Raoni: Liberdade fica comigo

CIMI – Conselho Indigenista Missionário

José R. Bessa Freire / taquiprati — Oito de agosto de 1980. Meio dia. Cerca de 20 peões, a mando de um fazendeiro, armados com motosserras, derrubavam árvores no Norte do Xingu. Já haviam sido advertidos que ali era área indígena. Reincidiram. Onze deles foram, então, mortos a bordunadas, numa ação unificada de noventa índios de seis nações, que teve repercussão internacional. Dias depois, Paulo Suess e eu entrevistamos para o Porantim vários líderes indígenas que negociavam em Brasília a paz com o general Nobre da Veiga, presidente da FUNAI. Entre eles, Raoni, que deu parte da entrevista num quartinho na Casa do Ceará, onde estava hospedado. Uma aula de sabedoria, de diplomacia, de solidariedade e de humor que merece ser reproduzida aqui no momento em que Raoni acaba de defender o Xingu no sambódromo do Rio. Em alguns trechos, mantivemos marcas da oralidade e do português xinguano.

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